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segunda-feira, 28 de maio de 2012

O melhor pra quem

É melhor deixar na estante aquele objeto que te lembra alguém que já existiu? Ou retirar aquele símbolo e permanecer o espaço empoeirado ao redor, que remete ao vazio deixado por quem foi embora?

Deixar a foto torcendo para que bons momentos como aquele eternizado no retrato (e no coração) possam se repetir?

Retirar a foto? Deixar o vazio? Substituir por outra, sempre lembrando o motivo da troca? Rasgar a foto?

Juntar os cacos?

É melhor sofrer junto ou sofrer ainda mais sozinho?

É melhor ter esperança ou ter consciência?

Fingir que está tudo bem ou deixar claro para o mundo que o seu mundo caiu?

Esquecer, lembrar, sorrir ou chorar?

É melhor negar um sentimento ou ignorá-lo?

Se arrepender do que fez ou do que não fez?

É melhor ir atrás ou esperar que venha?

Adiar o gozo da felicidade prometida pelo resto da vida?

Qual é a melhor prioridade: dinheiro, amor, família, felicidade?

Ignorar o próprio sentimento? Fingir que ele nunca existiu? Negar para si um direito quase constitucional? E em prol de que, exatamente?

Que medo temos da felicidade?

Para quem é preciso provar que não há fraqueza no peito onde bate um coração tão sofrido, negligenciado? É preciso mais coragem para dividir o peso do que para carregar a cruz sozinho.

Até quando?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ela amou um idiota

Ela amou um idiota. Não deu pra reconhecer logo de cara que ele era um idiota. Talvez os sinais tenham ficado claros depois de um tempo, mas já era tarde demais para ela reconhecer. Ela já estava cega de amor por um idiota.
Tudo começou sem compromisso - como quase todo relacionamento saudável. Gostavam das mesmas coisas, conversavam as mesmas ideias, ouviam as mesmas músicas, odiavam as mesmas pessoas pelos mesmos motivos, tinham os mesmos planos de vida, até a mesma profissão. Mas ele era um idiota.
Ela era uma criança no quesito relacionamentos. Ele era uma criança, mentalmente falando. Isso é mais que ser idiota. Além disso, é claro, ele era um idiota.
Ela era uma linda, com a vida pela frente. Quase dez anos mais nova, cheia de amigos, ignorante perante os desafios da vida - e, quer saber? Não importava. Ela passava por todos, ao largo, tirando onda e balançando o cabelo. Rindo, cantando alto e dirigindo rápido. Atraindo olhares. Mas ele? Ah, ele era um idiota.
Além de idiota, ele era inseguro. Como todo idiota, precisava espelhar sua insegurança em alguém. Ela era a vítima. Em pouco tempo, sua alegria de viver foi substituída por toda a insegurança dele. Os medos que ele tinha da vida, de fracassar, de não arriscar, de não dar certo. Os constantes "e se", a responsabilidade excessiva, o ter de dar certo a qualquer custo. O peso que ele colocava na vida era tão grande para ele que passou pra ela. Ele, o idiota, contaminou-a com toda sua amargura de viver. Era mesmo um idiota.
Sim, ele era um idiota. Ela não via, não sabia. Sua cabeça desconfiava, mas seu coração estava encantado - com o que, ainda não se sabe. É um mistério que, creio, jamais saberemos. Seus amigos tentaram alertá-la, sua família acendeu a luz vermelha e, pela primeira vez, colocou na maçaneta da porta o aviso: "Não seja burra, ele não te merece". Ele era assunto evitado entre os mais próximos. Sabe quando a vontade é dar uma sacudida na pessoa e dizer: "ACORDA, MINHA FILHA"? Pois é.
Passaram a brigar. A natureza amarga e sombria dele contrastava com a personalidade expansiva e alegre dela. Ele não gostava da forma menos responsável e mais leve como ela levava a vida. Ela mesma brigava com isso dentro de si: "será que sou irresponsável?". Chorava e se cobrava. Ele, o idiota, cobrava dela. Quando ela estava em dúvida, ele dizia: "você não pode mais errar. Não pode mais voltar atrás. Está muito velha para começar de novo, não acha?". Ela tinha 23 anos. Ele era um idiota.
Em toda briga, ele ameaçava terminar tudo. Ela chorava e implorava para que não fizesse isso, ela poderia mudar, eles poderiam mudar e ter o futuro que planejavam. Ela era diferente (era demais pra ele) de todas que ele já havia conhecido. Ela desejava que isso acontecesse. Mas a mudança, se acontecesse, não seria dela. Deveria ser dele. Ele tinha que deixar de ser um idiota. Ela devia mudar de namorado. Mas ela o amava (será?).
Ele ameaçava terminar, dizia que não dava mais. Ela implorava, soluçando, por mais uma chance. Ele, como se fosse um favor, um grande sacrifício, aceitava. E ela estava a salvo por mais uma semana - ou até o tempo que fosse até ele arrumar motivo para uma nova briga.
Demorou até que ela percebesse que ele era um idiota e ela, muita areia para o caminhãozinho dele. Demorou demais. Mais lágrimas do que ele merecia foram derramadas. Ela não dormia, não comia. Ela foi ao psiquiatra, por indicação da psicóloga, e começou a tomar remédios contra ansiedade.
Ele foi muito idiota. No fim, ele foi mais que idiota, foi babaca. Quando o respeito acaba e a insegurança sobra; quando tudo o que ele via era um trapo de gente e ela achava que ele era a tábua de salvação dela; quando ele a ignorava e estava em 164ª plano pra ele (logo depois do item "regar o cacto"), enquanto ele era prioridade zero pra ela. Ele cuspia, limpava os pés, escarrava e a tratava como uma placa de Petri com o vírus Ebola. Ele era, mesmo, um idiota.
Ela se recolheu, juntou seus cacos. Chorou, e muito. Achava que não ia sobreviver e que jamais seria feliz novamente. Não parava de pensar no idiota. Mas o tempo - ah, o tempo - veio e, de repente, aquele sentimento já não fazia mais sentido. Ela voltou a se amar. Aprendeu a se respeitar novamente e a se gostar. Já se olhava no espelho, já fazia sentido se arrumar, passar maquiagem. Já havia voltado a gostar da vista do seu quarto. Já se planejava novamente. Estava seguindo em frente.
E seguiu. Mas o idiota deixou marcas. Algumas boas, outras ruins. Uma delas foi o trauma: ele a traumatizou. Mas, ah, isso também há de passar.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pecando pelo excesso

Eu sou uma pessoa muito intensa no que faço. Amo demais, adoro demais, bebo demais, como demais, leio demais, sorvo, converso, falo demais. Prefiro pecar pelo excesso. Compro comida demais no mercado porque prefiro que sobre do que falte no churrasco. Posso congelar e usar o coração, a maminha e a cerveja numa próxima vez.

Isso acontece também nos relacionamentos - amigos, amantes, família. Aprendi desde cedo que é melhor eu me arrepender de algo que fiz do que algo que não fiz. A oportunidade passa e nada é pior do que aquela punheta mental: "e se eu tivesse feito?". Nunca vou saber. Prefiro, portanto, pecar pelo excesso.

A diferença é que não posso congelar e usar o excesso de amor, zelo, atenção e preocupação numa próxima vez. O que acaba acontecendo, fatidicamente, é a retração. Sabe quando você coloca o dedo na tomada quando criança, leva um choque e aprende a nunca mais fazer aquilo de novo? É mais ou menos isso.

Em certas situações já vividas previamente, espera-se que a gente saiba como agir. Se você adora um amigo que sempre inventa desculpas esfarrapadas para não ter te atendido ou ligado de volta, você vai continuar ligando? Se aquela sua amiga vive inventando desculpas para não sair com você, você continuará chamando? Se outros malas como esses aparecerem novamente na sua vida, você vai dar-lhes a mesma chance que deu aos primeiros? Provavelmente não.

Mesmo assim, esse tipo de frustração não vai impedir que você, eu, nós, vivamos a nossa vida na intensidade máxima. Só porque um namoro deu errado, uma amizade não foi pra frente, é que você, eu, nós, vamos deixar de namorar ou de engatar uma amizade com alguém ainda desconhecido. Não é o medo de sofrer que vai impedir esses sentimentos de aflorarem e de serem sentidos. É somente após dar vazão a esses sentimentos que a gente vai saber se o cara é uma furada ou se a amiga é, na verdade, uma mala. Louis Vuitton falsificada, de tão vagabunda.

Já amei muito sem ser correspondida, já amei demais e ele, de menos. Já fiz questão e dei prioridade a pessoas que não me tinham na mesma estima. Sei que já foi o contrário: fui o amor não correspondido, a mala que inventa desculpas esfarrapadas. Sei que faço e sou até hoje. Mesmo hoje amo demasiadamente, corro atrás demasiadamente, choro e sofro humanamente sem achar que aquilo vai ter fim, até que, duas semanas depois, já não sou mais a mesma. Dou prioridade a quem acho que devo e, se no fim das contas eu quebrar a cara, vai sobrar para um próximo churrasco. Eu prefiro pecar pelo excesso.

Pode doer tanto que a dor seja física; posso falar tanto que a voz me falha por dias depois; posso chorar a ponto de o rosto acordar inchado. Não é sempre, é nas situações que importam. Com quem importa. Aí sim: se a sensação for "eu não sou prioridade", o melhor é partir para uma próxima vivência intensa. Tal qual dedo na tomada.

Eu peco pelo excesso, sempre. E você?

Em tempo: como bem definiu um dos meus melhores amigos para a vida e além, Vitor Godoi (escritor do oqueeutoafim.blogspot.com): o problema é que as pessoas não correspondem na maneira como nos doamos. Perfeito, gordo :)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O amor é cego, brega e... analfabeto

Ah, o amor. Que sentimento mais lindo, altruísta, mais gostoso. É tão bom amar alguém e ser amado. Passar uma tarde gostosa com o namorado, fazendo absolutamente nada, apenas curtindo a presença do outro. Compartilhar momentos, planos, sonhos. Ah, o amor.

Todo mundo concorda que, além de lindo, o amor é cego. Quando amamos, a gente releva aquela espinha horrorosa que nasceu bem no meio do nariz da pessoa amada e deixou ela com cara de rena Rudolph. A gente tenta ignorar (e corrigir, claro) vários defeitos, como deixar a tampa do vaso levantada ou deixar o carro engatado sempre que estacionar.

O amor também é brega. Os casais (EU NÃO, é bom deixar claro) adotam uma língua quase intrauterina para conversarem. "Ah, qui coizita maisi pititica di namolada! Coiziquinha maisi amolosa, ti neném maisi linduxo!", sem contar os conhecidos e batidos apelidos: mozão, mozim, pititico, pixuca, e outras bizarrices que somente podem ter saído das mentes poluídas e perigosas de pessoas enamoradas.

Pois bem. Até aí, o amor é inofensivo. O problema é quando ele quer ser proativo. Aí, não dá. Espalhar faixas dizendo "Tchutchuquinha, te amo. Beijos, Tchutchuquinho" é pedir para terminar - comigo, pelo menos. O problema é quando o amor, além de cego e brega, é analfabeto.

As fotos a seguir foram tiradas na volta de um jantar com o meu namorado, no sábado à noite, a caminho da casa dele. Começamos rindo, mas acabamos tirando fotos. Confira por que:


Tá, ok, sou contra esse fotobook Fujioka e tenho muito preconceito


Essa foi um dos ápices do brega.


Essa também não fica atrás


Cafooooooooooooona!


Não, não, ESSA é o ápice do brega


Princesa? Jura?


A mais normal


Fechou com chave de ouro, campeão